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- 17 de ago. de 2020
- 5 min de leitura
Atualizado: 18 de ago. de 2020
Músicos de rua usam as redes sociais para a divulgação de seus trabalhos
Por Douglas Reis
Avenida Paulista, Praça da Sé, estações de metrô e tantos outros lugares são pontos comuns para moradores da cidade, entretanto, para os artistas de rua, esses locais se tornaram seu palco e ganha pão.
E o que fazer quando alguém quer apresentar um produto ou serviço para o mercado??? Ir ao encontro de seu público. E foi justamente isso que os músicos perceberam e fizeram ao longo dos tempos, saindo do vinil, passando pelo cd e Dvd até os dias atuais com as novas mídias. Porém, existe um grupo muito específico dessa área que começou a usufruir disso, os músicos de rua.
Se há 20 anos, apenas quem tivesse parceria com gravadoras conseguia entrar nos lares das pessoas por meio de suas produções, hoje, com um celular e um vídeo num stories do Insta ou Face, eles podem divulgar seu projeto onde o seu seguidor estiver.
“Sinto-me mais próxima das pessoas, mesmo estando tão longe. Essa é a grande magia da internet”
Publicitária e cantora, Carla Mariani usa de suas habilidades para agradar o público nas redes
IMAGENS: Douglas Reis
Como conta a cantora Carla Mariani: “eu uso bastante as redes sociais para divulgar meu trabalho, na verdade eu sou formada em publicidade, então foi uma coisa que sempre me preocupei bastante foi nessa parte de marketing, eu tento não ser muito invasiva, eu ‘tô’ sempre fazendo propaganda e ‘tals’, eu tento fazer uma dosagem no uso das redes, sempre de uma forma bem saudável e falando do meu trabalho”.
Carla se apresenta em locais alternativos e destaca a importância de conseguir uma participação em grandes eventos “Já me apresentei em palcos bem legais, já toquei em viradas culturais, festivais de jazz, festivais de inverno, festivais grandes. Já me apresentei em vários e cada festival é uma conquista nova, porque ‘pra’ você fazer parte de um line-up de festival é porque o produtor conhece bastante e confia no seu potencial”, diz.
Por fim, ela explica o impacto de suas publicações “Ainda hoje a rede social que tenho mais retorno é o Facebook, apesar de eu estar muito mais focada no Instagram, incrivelmente o meu alcance na página do Facebook tem sido muito maior que o do Instagram. E conclui dizendo que “através das redes sociais que eu consigo shows, apresentações em casas de show, pubs, as redes sociais abriram esse caminho para com produtores e casas de shows”.
Outro caso, dentre tantos que vivem essa realidade, é o da cantora Regina Serafim, de Santa Catarina. Ela conta como foi o seu primeiro contato com a música “Comecei cantando com 4 anos na igreja. Com 14 anos, iniciei meus estudos musicais ao piano. Participei de vários grupos musicais como a banda da Fundação Cultural de Rio do Sul e grupo de teclados. Mas não tinha em mente, nem imaginava que um dia isso seria minha profissão”.
Em seu trabalho, Facebook e Instagram são as que dão um maior feedback. Dessa forma, fala sobre sua relação com elas. “Sinto-me mais próxima das pessoas, mesmo estando tão longe. Essa é a grande magia da internet. Confesso que durante muito tempo fui relutante com essa questão de ter que estar atrás da telinha, ainda me cansa às vezes (risos) Sempre fui mais do analógico”. E finaliza ressaltando que “as coisas mudam, e se nós amamos muito o que fazemos é importante acompanhar o progresso. Aí tive que me render”.
Diante disso, um dos principais fatores que atrapalhou o seu começo teve relação direta com o mundo virtual “A falta de conhecimento do mercado foi um dos grandes vilões no início da minha carreira. Não soube usar a internet como deveria. Isso me atrasou e muito”, admite.
Conclui expondo como fez para mudar isso e qual a maior dificuldade que ela encontra. “Hoje, como autodidata, estudo marketing musical, a própria internet ensina, como usar ela para isso. Porém, no momento meu problema é falta de verba, de ter alguém que invista no meu trabalho”.
Em 2019 o Instagram decidiu iniciar testes para ocultar do público geral o número de curtidas obtidas nas publicações.Regina Serafim, De Santa Catarina para o Brasil
IMAGENS: Douglas Reis
Segundo pesquisa realizada pela empresa GlobalWebIndex, o Brasil é o segundo país que mais usa as redes sociais, perdendo apenas para Filipinas e à frente da Colômbia. De todas as redes a mais utilizada nacionalmente é o YouTube, seguido por Facebook e Whatsapp.
Bruno Costa é jornalista e radialista e atualmente trabalha como freelancer para a Vogue Brasil e expõe o seu pensamento referente a esse uso pelos músicos com menos visibilidade. “Redes sociais e plataformas e até mesmo as de streamings são os melhores meios para qualquer artista independente. O público já está por lá. É direto. Tem seus custos, claro. Mas se despertar o interesse de uma só pessoa, é um sinal que há muito trabalho a se fazer para ter mais visibilidade e relevância para atingir um contingente maior”, analisa.
Ele também contrapõe, alertando sobre os problemas a serem encontrados na hora da divulgação pelas redes “Os possíveis desentendimentos para compreender o que o público está procurando através do perfil do artista. Se é conteúdo, divulgação de agenda, bastidores, material exclusivo. É importante se perguntar: por que eles me seguem? O que eu posso entregar? Como farei disso uma ponte fundamental para converter em presença na rua? Sem essas respostas há falha na proposta do que o perfil pode oferecer”, esclarece.
E para um futuro não tão distante, Bruno diz de qual forma o jornalista pode ser útil para esses artistas. “O que um jornalista pode oferecer é a curadoria do conteúdo, procurar desenvolver uma narrativa que conte a história do artista e de seu trabalho, buscar uma linguagem entre artista e público. E claro, as funções de assessoria de imprensa também estarão latentes. Contato, agenda, parceria com potenciais parceiros. O jornalista, aparentemente, é o melhor porta-voz que um artista de rua pode ter”, afirma.
“A mídia seleciona aquilo que ela acredita, o que quer vender e nem sempre aquilo que ela quer vender é necessariamente o bom”
Ludmila Di Mara Gabriel é professora de sociologia e filosofia, com mais de 20 anos na área, analisa a relação entre a arte e as redes sociais. Para ela ,“a mídia social é uma forma interessante de representatividade porque ela aceita de fato todos os públicos, todos os setores e de alguma forma existe uma visibilidade. Até uma música que não teria muito conteúdo, ser uma chacota, vira um sucesso, um exemplo recente é o da ‘Caneta Azul’, quando um grande publicitário ouviria isso? É uma forma de redemocratização”.
Em sua visão o que leva tantos artistas se apresentarem em locais alternativos está ligado diretamente com a visibilidade. “A mídia seleciona aquilo que ela acredita, o que quer vender e nem sempre aquilo que ela quer vender é necessariamente o bom, mas a gente é tão massificado com aquelas informações toda hora, que a gente acaba cantarolando, reproduzindo”.
Conforme informado no site oficial da prefeitura de São Paulo, existem três decretos que regulamentam a apresentação nas ruas:
Decreto 55.140/2014, estabelece condições para apresentações de Artistas de Rua na Cidade de São Paulo;
Decreto 57.086/2016, institui o programa Ruas Abertas que estabelece as ruas que podem ter atividades culturais e de lazer;
Decreto 49.969/2008, sobre realização de eventos públicos e temporários, com mais de 250 pessoas, em espaços públicos ou privados, depende da prévia expedição de Alvará de Autorização.
Por fim, é necessário neste país e em cada distrito políticas públicas que incentivem a cultura, seja pela música ou qualquer outro segmento. Dessa forma, aliada a uma melhora na educação e no respeito à diversidade cultural alcançaremos um maior desenvolvimento social.
Confira a galeria:
Fotos: Douglas Reis


























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