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Licença Poética

  • Foto do escritor: Agência VersAto
    Agência VersAto
  • 20 de out. de 2020
  • 6 min de leitura

Atualizado: 21 de out. de 2020

De Saraus até batalhas de rima, conheça lugares e eventos onde você pode manifestar seu eu lírico.



Na arte, como em qualquer outra área do conhecimento humano, diferenças um tanto injustas nascem no decorrer do tempo. Na pintura por exemplo, é possível enxergar por vezes uma valorização muito maior do pintor do que de sua obra, enquanto na arte das palavras o poeta é secundário de sua poesia. Mas o poeta, assim como o pintor, define tanto sua obra quanto a obra o define, por isso, hoje é dia de celebrar o artista que nasce das palavras.


“O que distingue um grande poeta é o fato dele nos dizer algo que ninguém ainda disse, mas que não é novo para nós.” - José Ortega Y Gasset


Todos nós somos poetas. A melodia que percorre as palavras se encontra no nosso dia-dia, no amargo do amor, na doçura da solitude e assim por diante, cada pequeno momento que experienciamos compõe nossa própria poesia, e só do que precisamos é escrever ou verbalizá-las. O poeta portanto, não é aquele que vive de seus versos, mas sim aquele que versifica suas vivências, e para isso não é necessário requisitos básicos, basta apenas o desejo para tal.


Por isso, hoje a Versato te apresenta um pouco do universo da poesia de SP, pois quando as ruas por si só gritam seus lamentos e amores, os poetas são aqueles que estão dispostos a ouvi-las.



Saraus

Sarau Elo da Corrente Crédito: Tally Campos Salva


A metrópole mais populosa do país leva dentro de si pessoas de todos as áreas artísticas interessadas em expressá-las, nesse aspecto os saraus são o lugar ideal para os filhos da Terra da Garoa, neles você não encontrará somente poetas, mas também músicos, dançarinos, pintores, atores… enfim, a diversidade é o que define esses eventos, e todo tipo de performance artística é bem-vinda.


Não são poucos os que ocorrem por toda a cidade e fora dela, portanto aqui vai alguns que podem estar perto de você. Válido lembrar que muitos são itinerantes, ou seja, não ocorrem em um lugar fixo, portanto basta segui-los nas redes sociais para ficar por dentro de quando e onde será o próximo.



Sarau do Binho


Funcionando desde 2004, o Sarau do Binho (Robinson Padial), que inicialmente funcionava apenas como um bar, tornou-se um reduto artístico com o passar do tempo no Campo Limpo, Zona Sul de SP. Com todo o apoio obtido por seus frequentadores o projeto cresceu e o Sarau ganhou nova casa em 2012, o Espaço de Teatro Clariô no Taboão da Serra.





Saraus na Casa das Rosas


A Casa das Rosas pode ser vista como uma remanescente do passado paulistano em meio aos arranha-céus modernos da Paulista, mas ela abriga em si não só a história de SP, como também, o Centro de Referência Haroldo de Campos, um espaço cultural voltado à literatura. Ali diferentes coletivos de poesia de SP costumam fazer saraus ao menos uma vez por mês.



Crédito: Secretaria Especial da Cultura




Sarau da Cooperifa


Na Zona Sul de SP é onde o Sarau da Cooperifa tem suas raízes, carregando similaridades com o Sarau do Binho, visto que o local de reunião dos poetas e outros artistas também é em um bar, o Bar do Zé Batidão que fica no Jardim Guarujá. Com quase 20 anos de existência é mais que válido defini-lo com as palavras de seus criadores: “O Sarau da Cooperifa é quando a poesia desce do pedestal e beija os pés da comunidade.”






Sarau Elo da Corrente


Criado em Pirituba o Sarau é itinerante ocorrendo tanto em sua região de origem quanto fora dela. Buscando difundir a cultura da periferia, o projeto ainda fomenta a produção de conhecimento oral e escrito por meio de diversas outras atividades, como a manutenção de uma biblioteca comunitária, o espetáculo de poesia falada, um blog e uma editora independente.






Sarau das Mina


Da Zona Sul de SP o Sarau das Mina é um evento itinerante e possui um objetivo muito bem definido, dar voz às mulheres através da poesia, focando em temas que abrangem sociedade, gênero, sexualidade, educação dentre outros aspectos. As minas fazem de seu espaço um refúgio, oferecendo conforto e visibilidade para todas as mulheres que buscam na arte a manifestação do que é ser mulher em uma sociedade tão cheia de contradições.


Crédito: Facebook Sarau das Mina



Coletivo Perifatividade


Na ativa desde 2008 o Coletivo é formado por diversos artistas do Fundão do Ipiranga e leva arte à toda a região, com esse intuito espalha reflexões sobre os valores da nossa sociedade, conscientizando e enfatizando o senso crítico por onde passa. Os Saraus feitos pelo coletivo costumam ocorrer no Centro Comunitário Espaço Perifatividade, mas por vezes também é itinerante.






Sarau O que dizem os umbigos?!!


Residindo na Zona Leste esse Sarau já passou por muitos lugares da região antes de seu endereço atual, o espaço Ocupação Cultural Casarão no Jardim Helena, apesar disso ainda possui eventos itinerantes. O intuito deste, assim como de todos os Saraus, é reunir e compartilhar. Sendo assim o nome incomum é mais que válido, afinal, se os umbigos não tem nada a dizer, então porque por vezes olhamos tanto para eles?






Slams


Uma das várias formas de expressar a poesia que há dentro de si, é simplesmente performa-la e o Poetry Slam existe exatamente nesse intuito. Originado nos Estados Unidos dos anos 80, o Slam é feito de forma competitiva. Nele poetas se reúnem para recitar suas obras autorais de no máximo 3 minutos de duração. É escolhido da plateia cinco pessoas aleatoriamente que serão os jurados, dando uma nota de 0 a 10 para a poesia recitada. O poeta com mais pontos se sagra vencedor.



Crédito: Facebook ZAP Slam



No Brasil a modalidade se iniciou em 2008 com o ZAP! Slam (Zona Autônoma da Palavra) e até o final de 2019 já estimava 150 Slams pelo país e quase 50 deles só em SP. O motivo é simples, o Slam é um espaço democrático onde todo mundo que tenha uma poesia para recitar será bem-vindo. Para tal, existem Slams de todos os tipos, que acolhem aqueles que buscam na arte um suspiro de alívio, ou um grito de protesto.


Válido ressaltar que diante dos empecilhos causados pela Quarentena a maioria dos Slams mencionados seguem ocorrendo pela internet.



ZAP! Slam


O já citado primeiro Slam brasileiro foi criado pela artista Roberta Estrela D’Alva, e segue firme reunindo poetas de SP, aliás a própria Roberta dirigiu um documentário sobre a cultura do Slam no país. O longa “SLAM: Voz de levante” que ganhou prêmios no Festival do Rio 2017 e foi eleito melhor filme nacional no Festival Internacional Mulheres no Cinema.





Slam das Minas


Se uma mulher foi responsável pela origem dos Slams por aqui, no Slam das Minas são elas que comandam, o evento itinerante fundado em 2016 convida todas as poetisas de SP a acompanhar e participar.





Slam Marginália


O Slam Marginália abre seus braços para todas os poetas e poetisas trans, travestis, não-binários e de todas as identidades dissidentes como é informado em sua descrição no Facebook. Costuma ocorrer em frente ao mosteiro de São Bento no centro de SP.





Slam do Corpo


É o primeiro Slam brasileiro a reunir surdos, ouvintes e intérpretes onde a performance artística se faz em libras. Assim como muitos outros é um evento itinerante, portanto vale a pena ficar atento às redes sociais.





Slam do 13


Com o objetivo de levar poesia à Zona Sul de SP, foi criado o Slam do 13 que ocorre na última segunda-feira de todos os meses no metrô Santo Amaro.





Slam da Norte


Indo de uma ponta a outra por SP temos o Slam da Norte na Freguesia do Ó. Primeiro Slam da região que ocorre toda terceira sexta-feira do mês.





Slam da Ponta


Sendo um dos principais representantes na ZL, o Slam da Ponta ocorre toda primeira sexta-feira do mês no Reação Arte e Cultura.





Batalhas de rima

Fonte: Pixabay


“Minha Palavra vale um tiro eu tenho muita munição”

- Racionais Mc’s


Claro que é quase impossível não conectar a poesia a uma de suas maiores vertentes na música. O rap adiciona ritmo à palavra, sendo um dos gêneros musicais mais ouvidos no Brasil, possui nas ruas não só a origem e inspiração, mas também sua manifestação mais legítima. Manifestação essa que costuma ocorrer à noite quando um grupo de pessoas das periferias de SP, se reúnem em praças ou ruas para acompanhar o embate entre dois poetas.


O objetivo é simples, se sair melhor que o adversário, a única arma disponível são as palavras juntas ao beat de fundo, enquanto a armadura para muitos é a humildade e o respeito em frente ao microfone. Dessa forma a batalha é travada por meio do improviso. Poesia ainda quente, feita na hora. O júri ocupa o entorno do combate, sendo todo mundo que o presencia, e a decisão surge através do grito de apoio dado aos poetas.


Assim essas batalhas são travadas nos mais distintos lugares de SP e nelas não só a poesia ganha força, mas também todo o cenário do rap nacional. Clicando no link abaixo você pode conferir diferentes batalhas que ocorrem por toda SP:




Claro que todos esses foram apenas alguns exemplos do que São Paulo tem a oferecer, versos de uma poesia bem maior. Se você pretende se aprofundar mais nesse universo esperamos que aqui possa haver seus primeiros passos. E no caso de você já conhecer estes e muitos outros Slams, Saraus e Batalhas pela cidade compartilha com a gente aqui nos comentários, afinal a licença já foi dada.


Fontes: SP Cultura, SESC SP, Catraca Livre, Guia Folha, Periferia em Movimento, Alma Preta.


Por: Luís Carlos


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