Coronavírus estragando sua festa
- Agência VersAto
.jpg/v1/fill/w_320,h_320/file.jpg)
- 12 de set. de 2020
- 5 min de leitura

O ano de 2020 com certeza entrará para a história, como aquele que afetou completamente todo o planeta, tirando vidas, mudando costumes e quebrando economias por conta do coronavírus. E diante dessa realidade, uma parcela da sociedade ficou completamente à deriva, os autônomos. Para quem talvez não saiba, é o profissional que decidiu por conta própria empreender a fim de conquistar o seu sustento.
Para entender como essa pandemia afeta diretamente esta classe, a Agência VersAto, entrevistou a moradora Andréia Regina Araújo, da Vila Missionária, Zona Sul de SP. Casada e mãe de três filhas, a família trabalha com festas, seja alugando salão próprio, seja decorando salões externos. Acompanhe o bate papo.

Como o coronavírus afetou o seu trabalho?
Eu trabalho com decoração e com festa, quando já falaram do corona em fevereiro, as festas começaram a ser adiadas, então na verdade a gente está parado desde fevereiro, março, abril, maio… Até a data de hoje. O único respaldo que a gente tem é aquele auxílio de 600 reais, que aliás eu pedi em abril e a primeira parcela só caiu em junho e foi 600 pra mim e 600 pro meu esposo, a gente está vivendo com isso. Antes, cada vez que fazia festa aqui, porque a gente tem um salão, então salão com decoração o mínimo que a gente fazia eram 800 reais, isso dentro, fora as decorações de fora, cada decoração no mínimo R$ 300,00. Mas vamos colocar só os de dentro, a gente tinha uma renda de R$ 3.200,00, alugando só de sábado, fora os domingos, parou tudo. Nossa renda que depende exclusivamente de festas e alugueis parou.
Você sente que quem é autônomo é desamparado pelo governo? De que forma?
Sim. Na hora de cobrar, por exemplo, eu tenho Microempreendedor (MEI), tudo o que faço, eu tenho que pagar uma porcentagem para o governo, então eles sabem a média que a gente ganha. Nesse momento, eles olharam para a gente e falaram assim, “Vocês recebem três, quatro mil, mas a gente pode fazer é um auxílio de seiscentos e acabou”, então assim, eles não pensaram em nada. Mas, se voltarem as festas e eu emitir as notas fiscais, porque se eu não emitir a nota fiscal, eu posso levar uma multa, se eu emito nota fiscal eu pago por isso, mas na hora que eu preciso, porque foi uma pandemia, eu não tenho respaldo do governo, nenhum. A sorte é que a gente tinha um valor guardado e o que a gente fez? Usou.
Tem alguma em escola particular?
Sim, a pequena.
Como ficou a situação escolar da sua filha menor?
A gente continuou pagando, então eles mandam as atividades, semanalmente eu vou lá e busco. Então, a escola particular da pequena, eu tenho as aulas.

Quando estiverem liberadas as festas, já tem algum plano para poder limitar na festa?
Eles (o governo) falaram que até outubro não vai liberar, até lá é uma certeza. Mas vamos supor, se limitaria a trinta pessoas, você pagaria por trinta pessoas, uma média que pagaria por cento e cinquenta, duzentos? Acredito que para área de festa, a gente só vai começar mesmo em março ou abril.
Chegou a atrasar contas?
Sim. Passaram para a gente que os bancos iam fazer acordo, alguns fizeram, jogaram lá pra frente, mas aumentaram os juros em cima disso, ou seja, eu vou parcelar, mas vou pagar em cima disso. A conta de luz, eu nem preciso falar o que aconteceu, então a minha média, trabalhando era de R$ 350,00, hoje sem trabalhar é 450, 500 reais, aumentou, mas sem o trabalho. Eu pago prestação do carro, eu não consegui pagar três prestações e mandaram para busca e apreensão, e aí? Tive que atrasar mais ainda essas contas, para juntar um valor, pagar para não perder um bem.

Tem alguém do grupo de risco em casa?
Eu, tenho imunidade baixa, em março eu perdi o bebê, então eu tenho falta de ferro. O marido estava trabalhando de Uber, mas como teve esse problema do carro, não podia trabalhar. Então tá assim, se me perguntar “O que eu espero daqui pra frente?” Eu vou dizer que espero não passar fome.
Você trabalha com festas há quanto tempo?
Sete anos.
Em algum momento chegou a passar um momento parecido com esse?
Nunca, eu falo pra você, teve época que a gente dispensava fazer festa e não é porque era longe ou coisa do tipo, é porque a gente tinha quatro, cinco festas no dia, então não tinha como marcar mais um.

Por aqui ser um bairro residencial, como é a logística?
O salão é até meia noite, a gente já coloca o som dentro dos padrões. Em questão de multa, nunca teve, até porque aqui é um bairro residencial, só que da periferia, multa mesmo eles passam em bairros nobres.
Qual a sensação que bate nessas circunstâncias?
Sinceramente, eu só rezo e peço a Deus para não deixar faltar comida para as minhas filhas. O pão de cada dia a gente corre atrás, só que é o que falei, as contas vem chegando. É difícil? É, mas a gente não pode perder a esperança.
Tem em mente um plano B, para tentar um empreendimento novo? Qual?
A gente tem que reinventar, por exemplo IFOOD, entrega de comida, é o que a gente tem em mente, entrega de comida e de bebida, fazer esse tipo de entrega. Só que, de começo para a gente é novo, é tudo um gasto, quando você tem um giro com isso, ok, quando não tem, gera um gasto.

Suponhamos que se estivesse aqui na sua frente o governador e o presidente, o que você falaria para ele?
Eu queria entender o que chega neles, porque a culpa não é só deles, é o que eu digo, o presidente está fazendo coisas corretas e tem coisas que ele faz errada, tem coisa que é da cabeça dele? Sim, mas tem coisa que ele tem que falar. A mesma coisa eu digo o governador, tanto é que eles colocaram aí que, uma vez por semana iam fazer notas, então tem vez que faziam o boletim assim “Hoje estamos aqui para dizer que semana que vem vamos dar uma resposta”, então não precisava estar ali. Eu queria saber até onde eles sabem realmente sobre a pandemia, ia perguntar se eles topavam dar uma volta nas periferias para ver como está, para ver realmente o povo, não ali só na câmera, ou só o que as pessoas falam, andar realmente no meio, aqui na Yervant, na Vila Missionária, para ver quantas lojas fecharam, para verem qual é a realidade nossa e qual a que passam para eles.
Atualmente, Andréia está trabalhando alugando peças para eventos sem aglomeração, como por exemplo, chá de bebê drive thru, em que há apenas a decoração e os participantes entregam seus presentes. Nessa modalidade, os próprios organizadores retiram os enfeites e montam em seu evento. Para mais informações, pode entrar em contato com ela através de seu contato:
Andréia - (11) 97497-7393
Por Douglas Reis




Comentários