A humanidade falha todos os dias, durante séculos, no combate ao vírus da pobreza
- Agência VersAto
.jpg/v1/fill/w_320,h_320/file.jpg)
- 17 de out. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 19 de out. de 2020

“Migrant Mother”, retrato das consequências da crise de 1929, nos EUA. Foto original tirada por Dorothea Lange em 1936/Edição Camila Santos.
A foto da “Migrant Mother” ou mãe migrante é um dos famosos retratos da Grande Depressão Americana da década de 1930, tirada na cidade de Nipono, Califórnia, em março de 1936.
Florence Owens Thompson, com 32 anos e sete filhos para criar, é a mulher cuja face revela a angústia da fome. A fotógrafa Dorothea Lange, autora da foto, disse que Florence estava em busca de um emprego ou de ajuda social para sustentar sua família. Seu marido havia perdido o emprego em 1931, e morrera no mesmo ano.
Este é só um dos muitos exemplos de miséria mundial. Quantas famílias, de cada canto do planeta, migrantes e imigrantes fugindo de guerras, da fome, de regimes autoritários, estão nos noticiários diariamente? O buraco da desigualdade não é de hoje, e fica cada vez mais evidente no mundo, levando mais e mais vidas ao fundo do poço. Com a pandemia do novo coronavírus, a situação que já era preocupante agravou-se ainda mais.
De acordo com o Banco Mundial, a extrema pobreza no mundo aumentará pela primeira vez em vinte anos. E com a COVID-19, mais de 150 milhões de pessoas serão afetadas, ou seja, 1,4% da população mundial, segundo o estudo “Pobreza e Prosperidade Compartilhada”.
Mas o que é, exatamente, viver na extrema pobreza? Se você não faz ideia do que significa, os números respondem: viver com menos de US$ 1,90 por dia, ou seja, R$ 10,69.
O relatório aponta que a COVID-19 não é a única responsável. Conflitos e mudanças climáticas são fatores que contribuem, há muito tempo, com a desigualdade social. Justamente por estes motivos, o progresso da redução da pobreza arrastava-se para uma evolução.
Mas, se não fosse pelo novo coronavírus, a taxa provavelmente teria diminuído para 7,9% neste ano. Com a pandemia, o número ficará entre 9,1% e 9,4% da população global.
O estudo revela, ainda, que a renda média dos 40% mais pobres do mundo ficará menor e, 82% daqueles que entraram na faixa da pobreza recentemente, vivem em países considerados de renda média, como o Brasil.
O Banco Mundial, anunciou através do seu estudo, que uma economia diferente pós- COVID-19 deverá ser pensada o quanto antes e implantada nos países, na tentativa de recuperar a economia do planeta.
Para incentivar a recuperação econômica, a instituição anunciou em abril deste ano um pacote financeiro de até US$ 160 bilhões, a serem liberados ao longo de 15 meses.
A meta é diminuir para 3%, até 2030, o percentual de extrema pobreza no mundo. Sem ação política imediata, essa taxa pode ser de 7% daqui a 10 anos.
O estudo surgiu com o objetivo de desenvolver uma série de ações voltadas para o Dia Mundial para Erradicação da Pobreza, celebrado em 17 de outubro.
Como não há vacina capaz de erradicar a pobreza no mundo, é importante que os governos e organizações políticas estabeleçam medidas urgentes para combater o vírus que está muito mais presente na humanidade do que é possível imaginar.
Por Camila Santos




Comentários